Panorâmico do Monsanto

Panorâmico do Monsanto: 200 
Metros (acima do nível 
do mar) Vista de Lisboa e arredores (de Carnide até Sintra), e a outra margem, a chegar ao Castelo de Palmela e ao cabo Espichel
José Caria

Basta pesquisar Panorâmico do Monsanto no Google e logo aparece a nova “função”: miradouro. É assim desde setembro, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, e depois de 16 anos votado ao abandono. É mais uma vida das várias que o edifício, desenhado pelo arquiteto Chaves da Costa, já teve desde que foi construído em 1968: restaurante de luxo, discoteca, sala para jogar bingo, escritórios e até um armazém de materiais de construção. A Câmara limpou o entulho, removeu estruturas metálicas partidas, emparedou algumas zonas e colocou gradeamentos para que o espaço pudesse ser visitado em condições de segurança. A vista panorâmica de 360 graus sobre a cidade e os cerca de 200 metros de altitude a que fica fazem deste lugar observatório privilegiado de Lisboa e arredores.
E se a pilhagem já esvaziou o Panorâmico e o vandalismo destruiu o que era possível – resta (ainda!) o bonito painel de azulejos de Manuela Madureira –, cada um encontrará agora a sua varanda preferida. No primeiro piso, onde existe uma espécie de varandim intermédio. Ou no terceiro piso, onde o painel cerâmico semicircular, de Manuela Ribeiro Soares, assinala a direção dos pontos de interesse à época, entre Carnide e a serra de Sintra. E se os antigos estádios da Luz e de Alvalade, o Hospital de Santa Maria, o Aeroporto ou o Viaduto Duarte Pacheco, foram fáceis de encontrar, a verdade é que a cidade mudou e as Amoreiras, que não estão neste mapa de 1966 desenhado à mão, tapam a Igreja da Graça. Um bom exercício que requer tempo, alguma paciência é certo, mas que nos faz querer voltar uma e outra vez.

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